100 metros…

100 metros…

Quanto tempo se leva para percorrer 100 metros? Não responda muito rápido. Pegamos um auto-riksha, como um táxi aqui na Índia e pedimos para nos deixar num determinado lugar. Ele nos deixou numa praça dizendo que a rua que queríamos era contra-mão, mas estava a 100 metros da praça. No problem, sir. Afinal, andar 100 metros não e nenhum problema e não demora nada. Não na Índia…

Começamos a percorrer a distancia mas logo vi uma loja de doces indianos. Amo esses docinhos que parecem os doces de leite mineiros, mas incrustados de castanhas, pistaches e outras delicias. Os meus prediletos são os que tem uma casquinha de papel de prata. Sim, papel de prata.  Não pude resistir.  Entramos e mandei o vendedor colocar de vários sabores.  É uma delicia fazer uma festa.  Saí feliz com meus docinhos.

Logo a frente vimos uma loja de jóias.  Vocês não tem noção do que é uma loja de jóias na Índia.  Tudo brilha, tudo é lindo.  Um pouco exagerado, sim.  Mas lindo.  Fomos procurar um colar para o Fernando, pois uma de nossas missões aqui na Índia é equipa-lo para fazer a dança indiana.  A Sonia Galvão, professora de dança do Aruna logo nos ameaçou:  “não voltem sem as jóias e roupas para dançarem.”  Entramos numa, mas não tinha o que queríamos.  Fomos para a outra, mas não achamos.  Depois da quinta loja percebemos que não encontraríamos essas jóias especificas aqui no Chennai (sul da Índia). 

Continuamos a percorrer nossos 100 metros e nos deparamos com a Nallis, uma loja imensa de saris, a roupa que as indianas usam.  Eles têm os melhores saris.  Os de seda pura são maravilhosos.  Tocar esses tecidos, muitos feitos com fios de ouro, já é uma benção.  De novo, precisávamos escolher alguns para fazer a roupa de dança para o Fernando.  Achamos um azul, maravilhoso e num preço razoável.

Já estávamos cansado, querendo voltar para nosso hotel, quando nos deparamos com uma barraquinha de bijuterias.  São tão coloridas…  As caixas cheias de pulseiras de todas as cores, feitas com pequenos espelhinhos que refletem a luz do sol.  Os colares com brincos belíssimos…  Os bindis, aquelas pedrinha brilhantes que as indianas usam na testa.  Tudo brilha, tudo é colorido.  Um deleite para os sentidos, principalmente depois de visitar lojas de jóias e não comprar nada.  Não tinha como não parar lá.

Para encurtar essa historia, percorremos exatamente os 100 metros, mas em três horas…. 

Isto é a Índia.  Nada aqui é como imaginamos.  Nem melhor, nem pior, mas nunca da maneira como imaginamos.  O tempo não funciona como no resto do mundo.  O espaço se dilata ou se encolhe por vontade própria.  A vida se enche de colorido, de significado, de mistérios e milagres.  Pequenos milagres que nos deixam a esperança de que os grande milagres também podem acontecer.

Lokah samastha sukhino bhavantu.  (Que todos os seres de todos os planos do Universo, possam ser prósperos e felizes.)